Autores:
EDMAR JOSE DA SILVA, MARIA GORETTI DA SILVA AZEVEDO E NAZILDA MARIA TAVARES DA
SILVA.
Esta atividade teve como
campo de análise a Escola Municipal Vereador Inácio Miranda dos Santos,
localizada no Bairro São Sebastião – Parelhas/RN, na qual atuo como gestor.
A vivência da Gestão
Pedagógica neste Estabelecimento de ensino consubstancia-se mediante a
articulação de organismos voltados para o planejamento e a organização do
trabalho pedagógico como um todo, principalmente para o que diz respeito ao
gerenciamento de recursos e à elaboração e execução de projetos pedagógicos, a
partir do estabelecimento e do cumprimento de metas e objetivos que têm como
foco a melhoria da qualidade do processo educativo, haja vista que esta
dimensão se refere ao conjunto de princípios, cenários e procedimentos educacionais
que podem levar à consecução eficaz dos objetivos educacionais.
Uma vez que a dimensão pedagógica está relacionada,
estreitamente, com as outras dimensões da gestão escolar, focalizar
a função da escola no ensino e na aprendizagem significa fazer da gestão
pedagógica o eixo central da organização do processo educativo. Neste sentido,
o Projeto político pedagógico, os colegiados escolares, educadores, pais e
demais segmentos da comunidade escolar precisam está articulados para que a
função principal da escola seja perseguida e na medida do possível
concretizada.
Deste modo, em se tratando da Escola, campo de
estudo desta atividade, temos o Projeto político pedagógico como principal
norteador das ações e atividades nela desenvolvidas. É interessante ressaltar
que geralmente acontecem dois importantes momentos, durante o ano letivo, em
que o PPP é discutido junto à comunidade escolar: na jornada pedagógica do início
do ano letivo - quando estabelecemos as metas, objetivos e traçamos as ações e
atividades que nortearão a caminhada da Escola durante um ano ou até durante um
período mais prolongado - e no início do segundo semestre quando avaliamos o
caminho percorrido e atentamos para o que foi ou não viabilizado, dentro do que
estava previsto bem como os desafios que contribuíram para a não viabilização.
Avaliamos também o que conseguiu ser efetivado, os fatores que influenciaram
enquanto forças e enquanto percalços, tudo isto visando a continuidade de um
trabalho que vislumbre sempre possibilidades de êxito.
É importante ressaltar que a Escola conta com o
Conselho de Escola como um forte aliado do processo educativo desenvolvido
nesta instituição de ensino, inclusive com a desafiante incumbência de realizar
a Avaliação do desempenho dos professores que integram o seu quadro docente –
Avaliação de desempenho funcional dos servidores do Magistério público
municipal para efeitos da progressão funcional por mérito, instituída pelo
Decreto Municipal Nº 033/2013, de 27 de agosto de 2013.
Os demais canais de envolvimento dos pais são as
reuniões rotineiras que acontecem na Escola para apresentação dos resultados de
aprendizagem e discussão em torno deles, eventos tais como dia das mães, São
João, dia de cidadania na Escola e reuniões que acontecem para tratar de alguns
assuntos específicos.
Ainda contamos com parceiros como CRAS e Conselho
Tutelar, para interagir com a Escola, principalmente em situações de
indisciplina que foge do nosso controle, faltas consecutivas e sem
justificativa por parte dos alunos, casos de dificuldade de aprendizagem que
requerem um parecer de um especialista, dentre outros. Também contamos com a
parceria de pessoas da comunidade que se disponibilizam voluntariamente para
palestras quando precisamos tratar de temáticas relativas aos projetos de
trabalho que estão em execução na Escola.
No que se refere ao planejamento de projetos, estes
acontecem em encontros pedagógicos, acontecidos geralmente a cada bimestre ou
sempre que surge uma necessidade. Já acerca dos planejamentos contínuos os
professores sempre que possível, estão recorrendo aos supervisores para
traçarem os seus planos e/ou atividades. Aqui, situam-se alguns desafios para
que estes planejamentos possam ser melhores realizados, dentre eles, a pouca
disponibilidade de tempo do professor e até a ausência de uma maior força de
vontade por parte de alguns.
Quanto ao calendário escolar, as tomadas de
decisões não acontecem somente em nível de Escola, uma vez que, tendo em vista
o uso do transporte escolar, esta determinação requer uma decisão conjunta com
as demais escolas do Município e até do Estado.
Assim, são muitos ajustes, intenções,
responsabilidades, que precisam ser refletidas e pensadas conjuntamente para
que a gestão da escola, de modo particular, a gestão pedagógica possa cumprir
de modo coerente a sua função educativa.
CONHECIMENTO, CURRÍCULO E CULTURA ESCOLAR
Autor: Maria das Graças Toscano
O
currículo é o enfoque principal da educação. Seu caráter é socializador, onde
repercutem os interesses sociais e políticos. A reflexão sobre o currículo está
instalada como tema central nos projetos político-pedagógicos das escolas e nas
propostas dos sistemas de ensino, assim como nas pesquisas, na teoria pedagógica
e na formação inicial e permanente dos docentes.
A
educação atual passa por inúmeros entraves. Vários aspectos são pensados e
analisados em prol da qualidade de ensino, porém o que se identifica como
elemento chave nesta complexidade são as características curriculares e o seu
funcionamento.
Durante muito tempo, o gestor escolar
deveria ter apenas a competências de resolver problemas burocráticos, porém a
escola urge por muito mais, ela não se vale apenas disso. O gestor educacional
ainda possuindo tais competências precisa assumir uma postura de líder, capaz
de entender todas as instâncias da educação exercendo sua função de
administrador cumprido com os prazos e metas,
compreendendo e qualificando o fazer pedagógico, e envolvendo a
comunidade no processo escolar, tornando a escola um agente social.
O currículo escolar precisa estar de acordo com
a participação, experiência e necessidade docente em consonância com as
dificuldades dos alunos, para, a partir dessas vivências a equipe técnica
pedagógica possa atuar e elaborar o currículo a partir dessas necessidades
encontradas.
A
educação numa perspectiva de mudança
curricular envolve todos os grupos sociais. Novas estratégias e metodologias educacionais precisam ser
criadas e inseridas no currículo escolar para essa modalidade de ensino. Pois
este funciona como um norte para a prática docente e como um suporte para a
gestão, tendo em vista que a gestão escolar precisa conhecer a realidade e as
dificuldades da escola para que sua atuação possa ser coerente e eficiente
dentro do contexto que atua.
Currículo
e o direito à educação
No decorrer do curso aprendemos muito sobre o
currículo e o direito à educação. Para compreendermos um pouco mais sobre
currículo recorremos a documentos oficiais como a Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional, as diversas Diretrizes Curriculares Nacionais, os Parâmetros
Curriculares Nacionais, as Propostas Curriculares Estaduais e Municipais.
Diante disso, entendemos por currículo o
conjunto de conteúdos a serem ensinados e aprendidos na/pela escola; as
experiências de aprendizagem escolares vivenciadas pelos estudantes; os planos dos
professores; os objetivos a serem alcançados por meio do processo de ensino. Os
sujeitos (alunos, professores, gestores) devem participar como sujeitos ativos,
tanto na elaboração como na efetivação desse currículo, visto que os mesmos são
os sujeitos reais envolvidos e beneficiados nesse processo.
Diante disso, o currículo bem estruturado é
fundamental para manutenção de uma educação de qualidade para todos. No
entanto, para existir uma educação de qualidade é necessário um conjunto de
fatores, como a existência de bons professores, de bons alunos, de um contexto
sócio cultural bem estruturado. Assim, é
necessário também que a sociedade também participe e lute por uma educação de
qualidade. Não basta assegurar a matricula na escola pública, é fundamental que
esse ingresso seja acompanhado de qualidade, para que o educando obtenha êxito
em seu processo educativo. Que ele tenha assegurado seus direitos, seus anseios
e suas expectativas.
Currículo e o direito à educação
Autor: Jalby Faule Cavalcante
Ao iniciar este texto sobre currículo e o direito a educação precisamos
entender que currículo se faz através de uma ordem ou estrutura de objetivos
que seguem com avaliações dos conteúdos escolares.
Dai a necessidades de se incluir valores, pensando sobre uma
perspectiva de toda a sociedade em uma determinada época, assim, a
subjetividade que norteiam a sociedade atual já não é a mesma da sociedade de
algumas décadas passadas e convivemos com esse contexto onde alguns profissionais
relutam em aceitar ou trabalhar o currículo de forma atualizada, algumas
características de currículo arcaicas são frequentes ainda hoje, como a
avaliação linear onde para todos os alunos sem respeitar as especificidades de
cada um, adotando – se um modelo de prova padrão para todos. Atitudes como está
agora citada negam de certa forma o direito a educação, alunos aparecem neste
contexto como personagens desconhecidos onde são obrigados a adotar regras e
normas, os professores ainda rotulam alunos como desinteressados ou
desobedientes. Este contexto apesar de estar presente ainda hoje como ainda bem
não se faz padrão e não é maioria graças as ações do governo que vem
capacitando cada vez mais profissionais para uma melhor atuação respeitando o
direito a educação para todos, no que diz respeito a gestão escolar a buscar é
para conseguir reunir todas estas aprendizagens para que se consiga uma melhor
atuação junto a comunidade escolar e local, elaborando se uma proposta
curricular que assegure-lhe o direito a educação respeitando as aprendizagens e
particularidades de cada um.
O currículo nos dias atuais
Autora: Luana Kleine
O currículo, nos dias
atuais dada a complexidade e mutabilidade da sociedade contemporânea, é um tema
muito difícil de ser tratado e tem sido alvo de muitas discussões entre
especialistas tanto em sua construção, como em sua efetivação nas instituições
de ensino. Em uma definição sucinta, pode-se entender o currículo como uma
organização do conhecimento escolar e social, que depende de meios sistemáticos
para que realmente se efetive, sobrepujando o ambiente escolar, já que educação
e conhecimento não se limitam a esse contexto.
O direito à Educação está previsto
na Constituição brasileira e assegura acesso igualitário para todos. Porém, muitas
são as dificuldades para que esse direito seja de fato garantido, já que não
está restrito a simples matrícula do aluno na escola; muito pelo contrário,
nesse ato inicia-se um processo que envolve uma multiplicidade de fatores que
devem buscar garantir não só a sua permanência, mas sobretudo a progressão de sua aprendizagem, o que
perpassa a questão do currículo, já que o mesmo permite, em sua real
efetivação, a capacidade de guiar a equipe escolar, como um todo, a refletir
continuamente na e sobre a sua prática pedagógica.
Entretanto, o currículo por si só
não é garantia de sucesso. A prova disto são as inúmeras publicações sobre o
assunto que se avolumam, mas realmente não conseguem sanar as angústias dos
profissionais que lidam diariamente em sua sala de aula com alunos
diversificados, que muitas vezes trazem em seu histórico uma descrição tristonha
pra não dizer vergonhosa, de fracasso escolar estampado. Isso só aumenta os
questionamentos dos educadores em face de tanto aparato que se tem hoje frente
às novas tecnologias e outros recursos, mas, contudo, parecem impotentes diante
dos enfrentamentos para oferecer uma educação de qualidade, onde o educando
possa fazer uso das práticas sociais de leitura e escrita no meio em que está
inserido.
Para tanto, faz-se necessário um
currículo construído coletivamente, onde cada participante não é mais nem menos
responsável do que o outro, mas que se envolvem cada um em sua atribuição,
visando um objetivo comum que é o da aprendizagem do aluno. A gestão
democrática é imprescindível na
construção das diretrizes que irão nortear o processo de
ensino-aprendizagem, que é o caso, por exemplo, do Projeto Político Pedagógico
e o currículo escolar. Cabe ao gestor a responsabilidade de conscientizar e
envolver a todos nessa ação, assumindo esse direito no contexto de suas
atribuições. Também, entre outras coisas, o gestor deve zelar pela freqüência
do aluno na escola, como está disposto na LDB, em seu artigo 5º, inciso III, pois
de nada adianta todo um empenho da equipe escolar em organizar um currículo de
aprendizagem se o principal sujeito dela não estiver presente. É também atribuição
do gestor administrar os recursos da escola de forma responsável, já que disso
reflete toda uma estrutura que irá propiciar elementos para um bom andamento de
todas as atividades escolares.
Na busca dessa qualidade do ensino,
está intrínseco um conjunto de conhecimentos e habilidades necessárias, que
implica profissionais com uma formação sólida e continuada, que refletem
continuamente em seu fazer diário, buscando um bom desenvolvimento de suas
atividades. Cabe aos professores participar ativamente do projeto pedagógico da
escola.
Enfim, como base e fim desse
processo está o aluno, pois nele reside a finalidade da escola; é para ele que
existem todas as diretrizes e esforços. Para ele é que nasce o direito não só à
Educação, mas à uma educação de qualidade, que lhe permita está em condição de
igualdade enquanto cidadão. Portanto, o aluno não deve ser um mero receptor de
informações, mas a partir das informações e mediação do professor, selecionar e
transformar as informações em novos conhecimentos, interagindo ambos na construção
do saber.
Isso exige a participação de toda
comunidade escolar para que o currículo não seja apenas um documento. Que não
seja mera questão de conceitos, mas que o currículo possa de fato auxiliar os
professores, que possa “sacudir” a estrutura escolar, dando um novo significado
ao fazer pedagógico.
Currículo e Direito a Educação
Autores: Mario Fernandes e Maísa Maria dos Santos Guilherme
Currículo
e Direito a Educação, que papel assumem professores, alunos e gestor escolar neste
processo?
O termo currículo
apesar de se prestar a inúmeros fins, currículo de trabalho, currículo de vida,
currículo da empresa etc., assume na educação posição de destaque. Sem um
currículo, a escola perde o sentido de seu fazer. Alias sem um currículo,
dificilmente haveria escola, pelo menos nos termos que a conhecemos. Mesmo que
o currículo não esteja formalmente posto no cotidiano da escola, exposto em murais
ou banners, não significa que ele não esteja lá. Na especificidade das práticas
intencionais ou não que se desenvolvem na escola há um currículo que se
concretiza de forma espontânea. Se ele é o ideal ou não, isso é outra conversa.
O termo currículo, com
já se evidenciou aqui, possui inúmeros significados. Segundo Sacristán (1998a),
este termo está relacionado a uma carreira, a um percurso. Sendo a escolaridade
um percurso, a ser trilhado pelos alunos, e por professores também, o currículo
passa a ser um guia deste percurso.
O currículo é um
projeto cultural respaldado por “posições filosóficas, epistemológicas,
cientificas, pedagógicas e de valores sociais” Sacristán (1998b, p. 35). Neste
aspecto em particular, é fácil perceber que o currículo não é um instrumento
neutro, já que ele “transmite visões particulares e interessadas”, Moreira
(1999 p. 8). Optar por um currículo exige conhecimento e compromisso e, isso
implica optar por um aporte teórico, uma vez que o currículo enquanto
instrumento que se presta a uma prática específica, reflete intencionalidades.
Se a intensão é formar
técnicos para operar dentro de uma perspectiva tecnocrata, o currículo estará
embasado por um aporte teórico quase sempre de caráter técnico cientifico
fortemente amparado pela razão, se o objetivo é formar cidadãos flexíveis,
críticos e participativos, certamente atentará para outras habilidades relacionadas
à sensibilidade, a afetividade e o enfoque dos conteúdos também será outro,
refletindo em práticas pedagógicas diferenciadas.
Como disse
acertadamente Ribeiro, na escola “o currículo é entendido como um instrumento
orientador da ação educativa em sua totalidade”, o currículo, envolve um
“esforço permanente e complexo do grupo na elaboração de significados sociais,
culturais e políticos sobre o fenômeno educativo e a ação pedagógica de formar
cidadãos conscientes da sua participação como sujeitos sociais”, Ribeiro (2014
p.13).
Hoje, é sentido nas
escolas do Brasil, um esforço constante na direção de se familiarizar os
educadores, alunos e famílias com a problemática que envolve o currículo. Essa
tendência está relacionada às inúmeras questões que são trazidas ao contexto escolar,
relacionadas às modificações que se operam no mundo contemporâneo marcado pela
globalização das economias e pela interculturalização das sociedades.
Vivemos um momento no
qual as políticas nacionais, no caso do Brasil buscam consolidar a democracia.
Sendo a democracia um regime e um sistema político sensível às necessidades das
minorias excluídas, não é de se estranhar que a educação tenha assumido novos
tons nesse cenário.
É sabido que por
séculos a educação no Brasil ficou restrita a uma demanda controlada por uma
oferta de vagas meticulosamente negligenciada que revelava a tendência para
promover os “bem nascidos” e excluir “os desprovidos de berço de ouro”, assim
um número restrito de pretendentes assumiam as vagas disponíveis enquanto a
maioria continuava fora da escola.
No atual contexto sócio
cultural que se vive no Brasil, trazido pela constituição de 1988 e pela LDB
9.394/1996 e por emendas e regulamentações posteriores, o direito à educação
foi garantido. Vivemos um período na história do nosso país, em que o acesso a
educação básica e sua conclusão é um direito público subjetivo. No ensino técnico
e universitário também o acesso foi sensivelmente ampliado.
Com o direito a
educação, garantido por lei, o cidadão ver nascer algumas prerrogativas e
também algumas obrigações que advém dos deveres implícitos nestes direitos,
como expõe Cury no texto “Direito à educação: um campo de atuação do gestor
educacional na escola”. Neste sentido a educação enquanto direito público
subjetivo, garante aos cidadãos naquele nível onde esse direito é assegurado,
direitos que não devem ser negligenciados.
Esses direitos, ao
serem garantidos em lei definem atribuições e responsabilidades a serem cumpridas
pelos agentes públicos e privados encarregados da prestação dos serviços a esse
direito inerente. Se o aluno tem direito a 200 dias letivos ou ao mínimo de 800
horas de aula durante o ano, cabe ao professor, enquanto responsável pela
execução deste tempo escolar e pela tarefa de educar, assumir um compromisso de
assiduidade com o fazer pedagógico e, fazer uso de estratégias didáticas e
metodologias que possibilitem o fluir deste direito dentro de um clima de
harmonia e atratividade defendidos pelo aporte teórico que dá sustentação a
filosofia adotada para o fazer escolar. Isso exige do docente um qualificar-se
constante porque os desafios precisam ser enfrentados com prudência e
sabedoria.
Da mesma forma, cabe ao
gestor escolar, enquanto coordenador das ações e iniciativas que garantam o
direito a educação, possibilitar que as condições necessárias à garantia deste
direito sejam asseguradas. O gestor enquanto coordenador do processo em toda
sua complexidade, financeira, humana, pedagógica e administrativa precisa
assegurar que os direitos dos alunos não sejam negligenciados, dai a
necessidade do gestor escolar ser um bom articulador, com alto grau de sensibilidade visto que
também, os professores gozam de direitos que precisam ser constantemente
revigorados.
Neste cenário, o aluno
precisa ser encarado como o sujeito que assume posição central no tabuleiro.
São dos alunos as carências educativas a serem aprimoradas. Ele, enquanto
sujeito de direitos, está resguardado, a princípio, por ditames jurídicos e, na
sua singularidade de sujeito em processo de formação, por condicionantes
psicológicos, biológicos e pedagógicos que exigem foco e trato adequado a sua
condição de aprendente. Cabe ao professor mediar as situações e as
potencialidades dos alunos, para promover o aprendizado e, nisto, o gestor não
pode esquecer a sua condição de articulador, pois, o seu desempenho pode
condicionar em certo sentido o sucesso ou o fracasso de algumas ações que se
desenvolverão no decorrer do processo.
Bibliografia
MOREIRA,
Antônio Flávio Barbosa e SILVA, Tomaz Tadeu da. (Orgs.). Currículo, cultura e sociedade. Tradução Maria Aparecida
Baptista. – 3ª ed. São Paulo. Cortez 1999.
RIBEIRO,
Marcia Maria Gurgel. Diferentes espaços/tempos da organização curricular. Im
Currículo como artefato social. Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Org. Maria Doninha de Almeida – 2 ed. – Natal, RN: EDUFRN, 2004.
SACRISTÁN,
J.
Gimeno e A. I. Perez Gómez. Compreender
e transformar o ensino. Trad. Ernani F. da Fonseca Rosa – 4ª ed. – Porto
Alegre: ArtMed, 1998a.
SACRISTÁN,
J. Gimeno. O currículo: uma reflexão
sobre a prática. Trad. Ernani F. da F. Rosa – 3. Ed. – Porto Alegre:
ArtMed,1998b.
Autores: Carlos José e Maria José Faria de Oliveira
Estamos
inseridos em uma época repleta de mudanças em todos os âmbitos da sociedade
onde há diferentes pensamentos, bem como, complexas vivencias culturais. Tais
fatores refletem diretamente no setor educacional tendo em vista que é um cenário de socialização e
através da educação buscamos uma formação compatível com as exigências que hora
se propagam.
Nesse
contexto, é preciso que professores e demais profissionais da escola repensem
novas formas de ensino e aprendizagem, para tanto, devem trabalhar com conteúdo
que atenda aos educandos de forma plena, com um currículo amplo e flexível que represente a composição dos
conhecimentos e valores que caracterizam um processo social.
Dessa
forma, entendemos que o currículo não se trata apenas dos conteúdos a serem
ensinados, mas também da valorização do saber adquirido pela vivencia sociocultural
dos educandos, que deve ser inserida nas práticas pedagógicas, de modo que
sejam analisadas e sistematizadas. Associa-se
o currículo ao conjunto de esforços pedagógicos desenvolvidos com intenções
educativas (MOREIRA e CANDAU 1996), onde cada ação pode ser valorizada e
considerada como uma construção social.
Nesse
processo, o currículo não se estabelece apenas na comunidade escolar, pois as
atitudes e valores transmitidos na vivência, nas relações sociais devem ser
levados em conta, portanto, o currículo oculto deve ser considerado. Silva
(1999) entende que, o currículo
oculto é “o conjunto de atitudes, valores e comportamentos que não fazem parte
explícita do currículo, mas que são implicitamente ensinados através das
relações sociais, dos rituais, das práticas e da configuração espacial e
temporal da escola”. Assim, representa as influências sofridas pelo
aluno, imprevistos que acontecem no decorrer do ensino.
Na instituição escolar, o currículo deve ocupar lugar primordial na construção dos projetos, metas e objetivos, pois é essencial na atuação pedagógica. Portanto é fundamental que passe por constantes discussões, reflexões e planejamentos com ênfase na LDB, DCN, PCN’s e nas diversas propostas que tratam desse currículo, pois a escola deve estar preparada para socializar seus conhecimentos de forma clara e responsável.
Na instituição escolar, o currículo deve ocupar lugar primordial na construção dos projetos, metas e objetivos, pois é essencial na atuação pedagógica. Portanto é fundamental que passe por constantes discussões, reflexões e planejamentos com ênfase na LDB, DCN, PCN’s e nas diversas propostas que tratam desse currículo, pois a escola deve estar preparada para socializar seus conhecimentos de forma clara e responsável.
Muitos
fatores interferem ou não na aprendizagem dos educandos, o que eles aprendem
resulta da contextualização de conteúdos e espaços de referência. Os sujeitos
envolvidos na ação educativa devem participar e discutir com o gestor e
professores na construção dos projetos e nas ações educativas, no intuito de
saber se o currículo está de acordo com a qualidade do ensino, se valoriza seus
direitos e a sua formação integral.
Nesse
intuito, a equipe gestora e professores ao elaborarem o currículo precisam ter
em mente os seguintes questionamentos:
para quê, para quem, qual o conteúdo a ser ensinado, a metodologia e os
objetivos a serem alcançados. Essa equipe também precisa estar atenta a todo
processo que envolve o currículo escolar e suas implicações na educação dos
sujeitos e na qualidade do ensino o que propõe uma formação mais consistente
nessa área, com ações voltada para a promoção da organização e da articulação
de todas as condições materiais e humanas necessárias para garantir os avanços
dos processos sócio educacionais da escola e a melhoria da qualidade do ensino
A
escola de forma geral, não pode ficar alheia às mudanças que ocorrem ao seu
redor, pois esse novo cenário nos obriga a rever os conteúdos a serem
ensinados, as formas de planejar e lidar com novas situações. A discussão sobre currículo não envolve apenas organização
e seleção de conteúdo, mas as concepções acerca da sociedade e seu
desenvolvimento. Segundo Santos e Moreira(1996) “em parte por meio do
currículo, diferentes sociedades procuram desenvolver os processos de
conservação, transformação e renovação dos conhecimentos historicamente
acumulados”.
Sabemos
que existem na escola diferenças de saberes e ritmos de acompanhamentos de
conteúdos por parte dos educandos, estes muitas vezes são classificados como
inferiores, lentos etc. A escola deve repensar o currículo em função da desigualdade,
pois todos têm direito à educação, cultura, esporte e lazer. Sendo assim, este
currículo deve considerar o ser humano na sua integralidade para que atenda a todos
de forma significativa, pois isso é um desafio para a escola. No entanto, os
princípios norteadores definidos pela LDB 9394/96 ampliam e fundamentam as
ações da gestão escolar nesse processo, nas quais precisa desenvolver na escola
uma gestão democrática buscando a integração de todos os segmentos da
comunidade escolar, melhorando a qualidade do processo de ensino aprendizagem,
na tentativa de obter resultados satisfatórios
Referências
BRASIL. Lei 9.394, de
20 de dezembro de 1996. Estabelece as
Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diário Oficial da União. Brasília,
DF, v. 134, n. 248, p. 27833-841, 23 dez. 1996
CURY, Carlos Roberto Jamil. Direito a Educação: um campo de atuação do gestor na escola.
MOREIRA, Antônio Flávio
Barbosa. O Campo do Currículo no Brasil: os anos noventa. In: Currículo
sem Fronteiras, 2001.
SANTOS. L. L.C.P e MOREIRA, A. F. Currículo: questões de seleção e organização do conhecimento. In:
Caderno Idéias. N.26, FDE. São Paulo, 1996.
SILVA, T. T. da. Documentos
de identidade: uma introdução às teorias do currículo. Belo Horizonte:
Autêntica, 1999.
Currículo e Direito a Educação
Autora: Marilda Bezerra de Araújo
Entendendo
a Educação Escolar com um bem público de caráter próprio para o pleno exercício
da cidadania e preparação para o mundo do trabalho é que percebemos a
reconstrução do currículo no contexto real do aluno, levando em consideração o
que a escola faz e para quem faz.
No
currículo é que se colocam as parcelas da realidade que se levam a análise e
conhecimento de educandos e educandas. Os recortes do real são decisivos na
configuração do cidadão que se quer produzir. (
Berticelli, 2001; p. 166)
Desse modo o professor se torna
personagem importante no cenário do direito a educação, juntamente com seus
alunos, partindo do reconhecimento que o saber sistemático é mais do que uma
importante herança cultural. É através do saber que o cidadão se torna capaz de
transformar a si e o meio em que vive.
O conhecimento, portanto, possibilita ao cidadão
oportunidades de inserção na sociedade, no mundo do trabalho na busca de novos
saberes, tornando-o ser participativo e agente de transformação.
De acordo com Sócrates (2000), os recortes de um
currículo real são decisivos na configuração do cidadão que se quer produzir.
Por isso, o currículo precisa ir além dos blocos de conteúdos que determinam as
variáveis sociais através do jogo de interesses nas forças políticas, sociais e
econômicas.
Para assegurar a educação como direito de todos e
principalmente a igualdade de apropriação do conhecimento nas diversas áreas da
sociedade é necessário uma reflexão-ação de todos os envolvidos no cenário
escolar quanto a utilização e aplicabilidade dos currículos escolares.
Neste contexto, Sacristan (2000, p. 16)
Ao enfocar o tema curricular, se entrecruzam de forma inevitável
no discurso as imagens do que é essencialmente próprio no sistema escolar, se
incorporam tradições práticas e teóricas de outros sistemas, se consideram
modelos alternativos do que deveria ser a educação, a escolarizações e o
ensino.
Assim,
professores e gestores precisam analisar os componentes curriculares em suas
estruturas e diferentes escalas de valores que são destinados de maneira
implícita ou explicitamente a instituição escolar, sua socialização, formação,
segregação ou interação social. Tudo isso, reflete a complexidade dos
currículos no ensino obrigatório e dos fins aos qual a escolarização se refere.
O desafio para os educandos e gestores é garantir dentro dos
espaços escolares a igualdade de aprender frente a diversidade de seus alunos e
classes sociais a que pertencem. Precisam desenvolver práticas que colaborem
com o sucesso escolar de cada aluno. Daí a necessidade de constantes discussões
e reflexões na escola, tanto sobre o currículo formal como o planejado e
desenvolvido, quanto o currículo oculto.
É necessária a participação crítica e criativamente na elaboração
de currículos mais atraentes, mais democráticos, mais vivos que dêem
sustentabilidade as aprendizagens significativas, vivenciadas e experimentadas.
Nesse sentido, Cury (2002) enfatiza que o projeto pedagógico
ganhará em riqueza a diversidade pela consideração e envolvimento de todos os
profissionais em propiciar o melhor para todos na relação ensino-aprendizagem.
Trata-se de desafiar a ótica do dominante e de promover a atrito
de diferentes abordagens, diferentes obras literárias, diferentes
interpretações, que favoreça ao aluno sua aproximação e aprendizagem das
diversas manifestações culturais e diversas saberes.
Assim, entende-se que gestores e docentes precisam organizar
tempos e espaços escolares que favoreçam a construção do conhecimento,
verificando os esforços e recursos necessários, bem como, a comunidade em que a
escola está situada para que esta possa ser convidada a participar e colaborar
com um novo modelo de escola.
Uma escola que a luz de Freire (1992) “uma escola que é
aventura..., que se recusa ao imobilismo, uma escola que apaixonadamente diz
sim a vida”.
REFERÊNCIAS
BERTICELLI,
I. A. Currículo: tendências e filosofia.
In: COSTA, M. V. O Currículo nos limiares do contemporâneo. 3ª Ed. Rio de
Janeiro: DP&A, 2001.
CURY, C. R.
J. O direito a Educação: Um campo de
atuação do gestor educacional na escola. Brasília: Ministério
da Educação, 2002.
FREIRE, P. Pedagogia
da indignação: Cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo: editora
UNESP, 2000.
SACRISTAN, J. G. O currículo: uma reflexão sobre a prática. 3ª Ed. Porto Alegre:
Artmed, 2000.
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